Síntese I Conferência Jaime Wright de Promotores da Paz e dos Direitos Humanos
Os 500 lugares do Auditório Baker, da Faculdade 2 de Julho, quase não foram suficientes para receber os participantes da I CONFERÊNCIA JAIME WRIGHT DE PROMOTORES DA PAZ E DOS DIREITOS HUMANOS.
Às 9h30min do primeiro dia, os trabalhos foram abertos com a presença do Exmo. Ministro Nilmário Miranda, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos, do Prefeito Municipal de Salvador e de muitas outras autoridades civis e eclesiásticas, além de representantes dos patrocinadores do evento, a Sra. Eliana Rolemberg, Secretária Executiva da CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço - e do Sr. Rosemberg Pinto, Coordenador Regional da PETROBRÁS.
Um belo histórico da vida do ilustre Rev. Wright foi apresentado por uma de suas filhas.
O Ministro Nilmário Miranda proferiu a Conferência Magna de abertura do evento, apresentando um histórico dos Direitos Humanos no Brasil. Também aproveitou o momento para desmentir boatos de que o Presidente Lula pretenderia fundir as Secretarias de Direitos Humanos, a da Mulher e a de Reparação Racial, o que, segundo ele, seria um retrocesso.
O Painel RELIGIOSIDADE E PAZ, organizado pela CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço -, parceira da Faculdade 2 de Julho na organização da Conferência, foi extremamente participativo, em função da presença do Prof. Leonardo Boff, contando, também, com o Padre Gabrielli Cipriani (CONIC- Brasília), representante da linha Cristã, a irmã Judity Meyer, diálogo cristão-judaico, e a Mãe Valdina, representante dos cultos afros.
As senhoras Marilene Lima e Vera Lúcia Leite Flores, duas “Mães de Acari”, selecionadas para o recebimento do Prêmio Jaime Wright de Promotores da Paz e dos Direitos Humanos, vieram do Rio de Janeiro e fizeram uma apresentação do movimento que elas criaram nesta cidade, como mobilização contra a impunidade nas mortes de crianças e adolescentes, principalmente nas favelas e periferias dos grandes centros urbanos.
O dia foi fechado com uma sessão de lançamento e autógrafos de livros do Prof.
Leonardo Boff.
Em seu segundo dia, a Conferência foi reaberta, às 9 horas, com o Painel A CULTURA DE PAZ NO UNIVERSO DAS CRIANÇAS E DOS ADOLESCENTES, proferido pela Juíza. Isabel Maria Sampaio Oliveira Lima, sob a presidência do médico hebeatra Dr. Feizi Milani, e contou com as participações do Secretário Padre Clodoveo Piazzza, da Secretaria de Combate à Pobreza e às Desigualdades Sociais do Estado da Bahia, e da Profa. Iara Farias, Presidente da Fundação Cidade Mãe, da Prefeitura Municipal de Salvador. O alto nível da palestrante e dos debatedores trouxe excelentes reflexões em torno de tão importante tema.
A programação da tarde trouxe o Painel A CULTURA DE PAZ NO UNIVERSO DA MULHER, com as participações da Dra. Heloisa Helena Costa, Professora da UFBA e integrante da comissão organizadora da Conferência, da Dra. Isabel Alice, da Delegacia Especial da Mulher, da Profa. Maria Helena Souza da Silva, da Superintendência da Mulher da Prefeitura Municipal de Salvador, e da Profa. Sílvia Aquino, do Núcleo de Estudos Interdisciplinares da Mulher (UFBA). Novamente um tema despertou muito interesse na platéia presente.
Às 20 horas, no Auditório da UFBA, a Conferência foi encerrada, com uma belíssima cerimônia de outorga do PRÊMIO JAIME WRIGHT DE PROMOTORES DA PAZ E DOS DIREITOS HUMANOS.
O Projeto Axé brindou os a platéia com uma magnífica apresentação da Banda Axé.
Não podendo estar presente, Dom Paulo Evaristo Arns, Arcebispo Emérito de São Paulo, mandou uma emocionante mensagem gravada, a qual foi projetada através de um “telão”. Nela, ele enaltece a iniciativa da Faculdade 2 de Julho de resgatar a memória do Reverendo Jaime Wright e o declara como o seu melhor amigo, lembrando dos duros momentos que viveram juntos durante o golpe militar que se instalou no Brasil a partir de 1964, na incessante luta de defesa dos direitos dos presos políticos.
A partir das indicações havidas, a Comissão Julgadora concedeu o Prêmio ao Prof. Gey Espinheira, na categoria “Menção Honrosa”.
As Mães de Acari foram agraciadas com o Prêmio Jaime Wright, como pessoas que mais se desatacaram na luta pela defesa dos Direitos Humanos. As Senhoras Marilene Lima e Souza e Vera Lúcia Leite Flores são duas mulheres guerreiras que não se deixaram abater pelo luto após a perda de seus filhos, cujos corpos sequer foram localizados, vítimas de grupos de extermínio da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro. Ao contrário, se transformaram em duas leoas feridas na alma, porém fortalecidas nas suas forças físicas e espirituais, passando a mobilizar grupos e pessoas, principalmente as mães que passaram pelo mesmo infortúnio de verem seus filhos, na maioria das vezes sem qualquer dívida para com a polícia ou a justiça, terem suas vidas precocemente ceifadas, em muitos casos, por aqueles a quem caberia o dever de protegê-las.
Como última palavra, o Prof. Josué da Silva Mello, Diretor da Faculdade 2 de Julho, fez um histórico da Fundação 2 de Julho, a partir de seu Colégio, fundado há 79 anos atrás, até a criação da Faculdade 2 de Julho, evidenciando a tradição desta Fundação na defesa dos Direitos Humanos e na consolidação da democracia em nosso país. Para tanto, não poderia deixar de citar a forte marca deixada pelo Reverendo Jaime Wright, um dos idealizadores da Fundação 2 de Julho, na década dos anos 70.
Cléber Paradela